Tratamento do Oodinium - Amyloodinium ocellatum

Você já teve problemas com Oodinium no seu aquário?


  • Total voters
    4
11 March 2018
219
144
43
#1
Eu pesquisei bastante sobre o Oodinium, que é uma doença causada pelo dinoflagelado Amyloodinium ocellatum e eu vi muita opiniões contraditórias sobre o tratamento da doença. E li também sobre muitos tratamentos que não são efetivos contra a doença, como é o caso do uso da hipossalinidade.
De fato existem muito poucos artigos científicos em portugues falando sobre o Oodinium. A maioria dos artigos que encontrei foi de estudos em inglês. E a minha intenção foi a de colocar aqui estudos e relatos científicos sobre a doença. Dessa forma eu traduzi em parte um texto publicado no Reefkeeping que fala sobre o oodinium.
Eu sei que esse estudo já foi publicado no Reefkeeping faz algum tempo e que muitos aqui do Reef Club já conhecem o artigo. Mas mesmo assim resolvi traduzir esse artigo do Reefkeeping porque muitos aqui do fórum entendem muito pouco de inglês( não que eu entenda muito rs rs). E ainda porque não achei nenhum estudo feito por brasileiros em português sobre o oodinium. Eu não traduzi o artigo integralmente, mas apenas alguns trechos do estudo. E fiz essa tradução porque eu encontrei alguns tópicos que fazem traduções automáticas pelo google, no qual fica um texto traduzido quase impossível de entender.

O artigo do Reefkeeping é esse aqui
http://reefkeeping.com/issues/2004-07/sp/feature/index.php

A tradução do artigo do Reefkeeping está aqui:

Amyloodinium ocellatum, mais comumente conhecido como marine velvet(doença do veludo marinho) é um dos patógenos mais comuns que causam doenças em aquários marinhos tropicais. Ele é o causador da doença Oodinium ou doença do veludo.
Amyloodinium ocellatum é um dinoflagelado que consiste em uma célula com dois flagelos. E existe controvérsias sobre a sua classificação. Os botânicos o consideram como alga e os zoologistas o consideram como protozoário.
Amyloodinium atualmente é classificado como dinoflagelado pertencente ao reino protista. Sua classificação estaria entre plantas e animais fotosintéticos que apresentam flagelos e também móveis.
Ele não é mais classificado como protozoário e sim como dinoflagelado. Caso seja citado como protozoário entenda-se aqui como dinoflagelado.
O Amyloodinium apresenta ciclo de vida complexo semelhante ao causador do íctio marinho(Cryptocaryon irritans).
Esse estudo recomenda a quarentena de peixes novos por no mínimo 30 dias, tendo em vista que muitas vezes o peixes não apresenta sinais clínicos da doença.
O sinais da doença Oodinium são muito sutis. Mas normalmente o peixe tem dificuldade respiratória, diminuição ou perda completa de apetite, o peixe apresenta comportamente de nado errático e se coça nas rochas e substrato. O peixe apresenta um brilho aveludado fosco, daí o nome Marine Velvet ou doença do veludo.
O primeiro local de ataque do dinoflagelado é nas guelras do peixe. E uma vez nas guelras ele se dissemina para todos os tecidos do peixe. O autor do estudo afirma o seguinte; "Eu consideraria o peixe fortemente infectado e talvez além da esperança de recuperação."
O autor do texto sobre oodinium cita outro artigo sobre o tratamento do íctio http://reefkeeping.com/issues/2003-08/sp/index.htm
Seria até interessante que alguém traduzisse esse artigo sobre o íctio publicado no Reefkeeping.
E que alguns detalhes do tratamento sobre o oodinium, já estão explicados no texto que fala sobre o tratamento do íctio marinho.
Formas de tratamento:

1) Imunidade natural - alguns peixes desenvolvem imunidade natural por seis meses quando é exposto ao dinoflagelado e não ocorre a morte do peixe. Foi feito um estudo com vários peixes que foram expostos ao amylloodinium e depois de catorze dias de exposição vários peixes começaram a apresentar uma resposta imunológica. E depois de vinte e oito dias todos os peixes, exceto um, estão completamente livre de trofontes.
O peixe imune permaneceu suscetível à ligação dinosporica, mas por razões que não são claras, os trofontes nunca cresceram e caíram de seus hospedeiros prematuramente.
Mas o estudo também fala que o aquarista não deve esperar que o peixe adquira imunidade natural e sim que deve iniciar tratamento com cobre ou difosfato de cloroquina em um aquário hospital.

2) O tratamento com cobre, leia-se cupramine, é amplamente utilizado para tratamento de oodinium. Ele é barato, fácil de encontrar e achar. Mas também apresenta problemas na sua aplicação. É necessário fazer monitoramento diário dos níveis de cobre com um bom teste. O artigo não fala isso, mas eu consideraria bons testes de cobre, o teste da Seachem, da Sera. Muitos consideram o teste da Red Sea como um bom teste, mas eu não gosto dele, porque acho muito difícil achar o nível de cobre com a escala de cores do teste.
O estudo fala que é importante monitorar o nível de cobre, porque em teores baixos de cobre ele não seria eficiente em erradicar o dinoflagelado e em níveis muito altos poderia matar o peixe. Cuidados adicionais deve ser feito ao tratar peixes delicados como anjos.
Quando a quantidade do cobre a ser administrada você poderia dar uma olhada no vídeo apresentado pelo Leo Cardoso, com os devidos créditos ao @Júnio Melo que também participa do vídeo

, que é claro, não faz parte desse estudo do Reefkeeping, mas é bastante esclarescedor.

3) Tratamento com difosfato de cloroquina. Uma simples dose de 5 a 10mg/litro limpa o peixe da infestação pelo Amylloodinium em dez dias(segundo estudo de (Noga & Levy, 1995 ). Parece muito bom para ser verdade mas o artigo lembra que existem desvantagens. Uma delas é que é muito difícil achar o difosfato de cloroquina. E que ele é muito tóxico para invertebrados, corais e macroalgas e assim como o cobre precisa ser adminstrado em aquário hospital. O autor do artigo afirma que pobre de alguns moderadores do Reefkeeping que constantemente ouvem os mesmos problemas e que os moderadores teem que dizer sempre da importância do aquário hospital e da quarentena. Mais ou menos o que acontece com os moderadores aqui do Reef Club.

4) Banho em água doce. Foi demonstrado que um mergulho de água doce com a duração de cinco minutos forçou o desalojamento da maioria, embora não de todos, dos trofontes de um peixe infectado (Noga, 2000 and Noga & Levy, 1995).
O problema com os banhos de água doce é que eles não atuam sobre tomontes encistados e nem sobre os dinosporos já existentes no aquário infestado.
Para fazer isso a temperatura deve ser a mesma em que o peixe se encontra e deve-se acertar o ph que também deve o mesmo. O artigo fala em banho de cinco minutos, mas é preciso verificar se o peixe não está muito frágil para ficar cinco minutos em banho de água doce. O banho de água doce não elimina a possibilidade da doença, mas alivia muito o peixe pois os trofontes acabam saindo do peixe. O ideal seria dar o banho de água doce e colocar de volta o peixe num segundo aquário hospital com cupramine. Porque se voltar o peixe ao mesmo aquário hospital em que ele já estava ele pode ser reinfestado.
O autor do artigo afirma ainda que banhos de água doce são muito estressantes para os peixes e que somente deve ser feito para peixes que não estejam seriamente debilitados.

5) Banho de formalina(formaldeído a 37%) o autor fala que o banho com formalina é muito controverso, porque é a formaldeído é muito tóxico e cancerígeno e só deve ser munipulado em local bem ventilado e com muito cuidado. E o autor diz que seria bem menos arriscado fazer banho com água doce e com melhores resultados.

6) Hipossalinidade. O autor informa que a hipossalinidade é completamente inútil para tratar o oodinium.

7) Acriflavina, aminoacridina e terapia combinada com formalina. O artigo informa que a acriflavina auxilia na infecção secundária após ter sido feito o banho com água doce. E é ainda efetiva contra certos fungos, bactérias e parasitas. E que embora o produto é dito como reef safe, não deve ser usado como tal.
Existem poucas referências sobre a aminoacridina, mas fala que ela era um dos componentes do medicamento fabricado pela Tetra, cujo nome é Oomed(não é mais fabricado) e que era utilizado para tratamento o oodinium. Mas um estudo citado no artigo diz sobre a possibilidade de que a aminoacridina afete muito a reprodução dos peixes e que por isso mesmo deve ser evitada.

8) Ácido ascórbico (vitamina C) o autor informa que não existem estudos e relatos científicos que apontem para a eficácia no tratamento do oodinium e que por isso mesmo o ácido ascórbico não deve ser considerado como tratamento contra essa doença.

9) UV ultra violeta. A radiação ultra violeta parece ser eficaz contra dinósporos de Amyloodinium ocellatum livres na água. O autor cita que o UV seria útil para as grandes lojas e importadores, no sentido de diminuir a contaminação do oodinium, mas não como controle da doença em aquários como os nossos, de casa.
Aqui nesse estudo sobre íctio marinho tem mais informações sobre a utilização do UV http://reefkeeping.com/issues/2003-10/sp/feature/index.htm

10) Tratamento com ozônio. O artigo informa que o ozônio apresenta eficácia semelhante ao UV, com a vantagem sobre esse último. Tendo em vista que o UV tem o problema de desgaste da lâmpada e por isso mesmo perdendo sua eficácia com o decorrer do tempo. Assim como o UV pode ser usado em grandes lojas ou importadores no sentido de diminuir a disseminação da doença.

11) Controle biológico. Não existe na natureza um predador natural do Amylloodinium, seja ele peixe ou camarão e por esse por motivo não é efetivo o uso de "animais limpadores" como Labroides wrasses, Elacatinus.

12) Peróxido de hidrogênio ou água oxigenada. Estudos apontam que é promissor o uso do peróxido de hidrogênio contra o oodinium, mas que esses estudos ainda são experimentais e que se for usado em quantidade muito alta o peróxido pode muito facilmente matar o peixe.

13) Lavagem dos tanques de aquacultura. Como nosso caso é de peixes em aquário e não de aquacultura, não me ative muito a esse tratamente. Mas de qualquer forma ele diz que não é muito efetivo.


Além desse artigo do Reefkeeping eu li outro artigo que não traduzi, mas que coloco aqui para possam ler mais a respeito sobre o Oodinium.

http://agrilife.org/fisheries/files/2013/09/SRAC-Publication-No.-4705-Amyloodinium-ocellatum-an-Important-Parasite-of-Cultured-Marine-Fish.pdf

Observação: é preciso "colar" o link do site agrilife.org acima no Google para ter acesso ao artigo.


Outro artigo é esse aqui https://m.liveaquaria.com/article/84/?aid=84

Existe ainda um suposto tratamento do oodinium com um produto da Microbe Lift chamado Herbtana https://produto.mercadolivre.com.br...lift-herbtana-freshwater-473ml-_JM?quantity=1 , mas como é a base de ervas e como não existem estudos científicos sobre o produto não dá para dizer se é efetivo ou não contra o oodinium. Tudo que eu sei é que o produto tem um cheiro como se fosse mistura de óleo de melaleuca com o cheiro do Revive. De qualquer forma o produto não afirma que é efetivo contra o Amylloodinium e sim que reforça as defesas imunológicas do peixe, para que esse possa se ver livre da doença.

Em outro tópico do Reef 2 reef existe mais informação sobre tratamentos para o oodinium
https://www.reef2reef.com/threads/velvet-amyloodinium-ocellatum.217570/page-7
E um usuário chamado Humblefish informa o seguinte

  1. Noga (2000) and Noga & Levy (1995) both reported that a single (5 minute) freshwater dip would remove 80-90% of the parasites. This clears the gills of parasites, so the fish can breathe again, and gives the fish a fighting chance moving forward.
  2. The good news is 80-90% of the feeding trophonts have now detached; the bad news is all the tiny bite marks left behind are just waiting to get infected.
    This is where acriflavine, an antiseptic, comes to the rescue! A 60-90 minute bath will render "first aid" to your fish and reduce the possibility (but NOT eliminate) of a secondary infection once he is placed in QT.
    If an infection does pop up in QT, you always have the option of dosing a wide spectrum antibiotic (exs. Furan-2, Kanaplex) in conjunction with copper or CP. (Formalin, the alternative bath treatment, does force even more trophonts off the fish but contains NO antibacterial properties.)
  3. If he survives, the fish is now in better shape following the FW dip + acriflavine bath; however some trophonts still remain and now need to be eradicated in a QT. Dosing Chloroquine phosphate @ 60mg/gal is the best way to achieve this, as you can go from zero to full therapeutic with no ill effects. Copper (ex. Coppersafe) is the backup plan, especially for CP intolerant fish such as wrasses, anthias and Hippo Tangs. However, therapeutic levels of copper must be achieved within 24 hrs when dealing with velvet and some fish just cannot handle being exposed to that much copper so quickly.
  4. Whether using CP or copper in QT, 2 weeks is the minimum treatment period (with 4 weeks needed to also eradicate ich.) Fallow period for velvet in the DT is 6 weeks, with 76 days being optimal for also eliminating ich in there.

Fiz uma breve tradução da resposta que ele dá nesse tópico:

1) Noga (2000) and Noga & Levy (1995) ambos dizem que 5 minutos de banho em água doce(em mesma temperatura e Ph em que o peixe se encontra) remove aproximadamente de 80a 90% dos parasitas.
Isso deixa as guelras livre de parasitas de modo que o peixe possa respirar e dá a chance do peixe lutar e sobreviver.

2) Então a boa notícia é que com o banho de água doce 80 a 90% dos parasitas(trofontes) saem do peixe. E a má notícia é que se for levado diretamente de volta para o aquário de quarentena que estava antes do banho, os trofontes voltam a infectar o peixe. Mas é aí que a acriflavina que é um antisséptico vem para ajudar a combater a doença. Um banho de acriflavina de 60 a 90 minutos, após ter sido dado o banho de água doce reduz em muito(mas não elimina) a possibilidade de nova infecção quando o peixe volta para o aquário de quarentena. Mas se por acaso surgir nova infecção você poderia utilizar antibióticos de amplo espectro como por exemplo Furan-2 e Kanaplex em conjunto com cobre(cupramine) ou CP- Chloroquine phosphate 60mg/galão, ou seja, 15mg/litro. Banhos de formalina a 37% também poderia ser utilizado como banho, embora não tenha propriedades de antibiótico.

3) Se o peixe sobreviver a esses tratamentos - banho de água doce, depois acriflavina e por último fosfato de cloroquina/cupramine o peixe está em melhores condições de combater o dinoflagelado. Para os peixes que não toleram muito a cloroquina como os wrasses, antias e alguns tangs, pode-se utilizar o cupramine. O problema é que para funcionar bem os níveis de cobre teria que atingir em 24 horas níveis terapêuticos para poder combater o oodinium(marine velvet) e alguns peixes não toleram exposição muito rápida a esses níveis de cobre.

4) O tratamento do oodinium deve ser feito em 6 semanas, mas o ideal é que seja feito em 76 dias.

Esperem que gostem do artigo e que seja muito útil para várias pessoas que estáo com problemas com Oodinium. Até porque existem muitas opiniões nos fóruns aqui no Brasil mas muitas dessas opiniões não são baseadas em estudos científicos. E eu procurei colocar aqui artigos baseados em estudos científicos e não apenas em opiniões pessoais sobre o oodinium.
 
Last edited:

Membros que estão vendo este Thread (Membros: 0, Convidados: 1)

Top Bottom