O que fazer com peixes grandes?

10 August 2014
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Caxias do Sul - RS
#1
Essa semana houve uma interessante coincidência.
Dois dias depois de eu ter passado adiante dois tangs que estavam grandes demais para meu aquário, eu recebo o primeiro exemplar de 2015 da revista Coral, com um artigo falando exatamente sobre isso.
O meu gesto não teria apenas passado o problema adiante?

O artigo é assinado por Ret Talbot, que escreve uma coluna sobre sustentabilidade, e é intitulado "The tankbusters among us" (que é aliás uma coisa bem difícil de traduzir, talvez "Os 'destruidores de aquários' entre nós", passando um pouco longe do significado não literal de tankbusters).
O acesso ao artigo (e à revista) é pago, mas tem uma versão rascunho do artigo, menos completa, aqui:
http://www.reef2rainforest.com/2014/12/04/the-800-pound-tankbuster-in-the-room/

Enfim, o que é colocado em jogo é a compra pelos aquaristas de peixes que atingem grandes dimensões.
O artigo cita a venda em lojas dos EUA de garoupas gigantes, que podem chegar a 400 quilos, mas não precisamos exagerar.
Um hepatus, peixe bastante comum, pode chegar a 30cm.
Um yellow tang, a 20cm. Uma moréia miliaris a 120cm, e alguns lionfishes até quase 50cm.
Na verdade, das 775 (uau!) espécies de peixes vendidos nas lojas online nos EUA, 113 chegam a até 40cm de tamanho, e várias passam de 1 metro.

Se o seu peixe não chegou a tanto, e morreu antes disso, é porque não foi dado a ele espaço, saúde e alimento suficiente para seu crescimento.
Se o seu objetivo como aquarista era proporcionar isso a ele, você falhou.

Mas se você não falhar, você terá um problema.
Quantas pessoas possuem aquários grandes o suficiente para manter um peixe de 20cm?
E quando o problema acontece, o que fazer? Quantas pessoas tem possibilidade de receber o seu peixe?
Então o que elas fazem?

O artigo citou uma coisa interessante: o número de espécies de peixes exóticos observadas nos mares da Flórida não pertencem aos mais comumente importados.
Ou seja, não são os peixes mais comuns nas casas das pessoas que são encontrados no lugar errado: são os maiores.

Obviamente os efeitos disso podem ser (e são) devastadores para o ambiente.

O artigo discute um pouco o que fazer nesses casos, já que a frigideira nunca é uma hipótese bem aceita.

A maneira mais simples seria coibir a importação livre desses animais, permitindo apenas para casos especiais, onde haveria comprovação por parte do aquarista da infraestrutura necessária para manter o bicho durante todo o seu tempo de vida.

Mais uma coisa a se discutir nesse hobby.

Abs
 
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Jose Mayo

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10 August 2014
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#2
Nós, em algumas ocasiões, já tínhamos discutido essa questão internamente e, ao menos na minha cabeça, a solução a esse problema, que é real, passa pela possibilidade de criação de uma rede de "descarte responsável", em que talvez lojistas de boa-vontade (que existem), pudessem dedicar um espaço adequado à recepção desses "Jumbos" como um serviço a mais à sua clientela, evidentemente gratuito, e até pudessem, além de exibi-los em suas lojas como atrativo, em casos especiais até realocá-los, em espaços aonde esses grandes peixes também pudessem servir de atrativo diferenciado, tal como em alguns espaços comerciais (restaurantes, shoppings, hotéis e que tais) que possuem aquários para atrair e divertir o seu público consumidor.

Lamentavelmente, não dispondo de locais aonde possam conduzir e descartar esses animais que se tornam "problema" no seu aquário, muitos aquaristas "piedosos" e muito mal informados tem a estúpida ideia de "devolvê-los à natureza" e, se com as suficientes condições de adaptabilidade e resistência, esses animais podem vir a se tornar problemas graves nos meio-ambientes dos quais não são originários, como atualmente vemos que os Lionfish já estão sendo no Caribe... Ou, mesmo aqui, em Arraial do Cabo, em que pelo menos um exemplar foi avistado e capturado.

Vamos ver se, a tempo e com jeito, conseguimos desenvolver e implantar alguma coisa nesse sentido e de modo espontâneo, antes que os fatos do dia a dia nos atropelem e, alguém, talvez bem menos conhecedor dessa realidade que nós mesmos, tenha a "boa ideia" de nos obrigar.
 
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Júnio Melo

Born to dive, forced to work!
10 August 2014
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#3
Há pouco tempo li uma notícia em uma destas revistas on line a respeito da intenção de se montar um local apropriado para descarte de peixes, salvo engano nos EUA. Isto evidencia o tamanho do problema.
Infelizmente, a única forma de se reduzir o problema é o aquarista procurar informações sobre o animal que pretende adquirir ANTES de comprá-lo. Mas parece que nem todos conseguem conter o impulso.


"O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano. Mas o que seria o oceano se não infinitas gotas?"
Isaac Newton
 


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16 Outubro 2014
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Santos S.P.
#4
Estudar a espécie antes de comprar ,se o aquário é adequado a espécie.A consiencia do lojista e principalmente do aquarísta é o fator principal.Sabemos que animais são territoriais,devido a alimento e espaço.
Hepatus por exemplo,com 3 cm é maravilhoso,mas e o tamanho que ele atinge?Temos variedades interessantes e de pouco crescimento,que pode trazer a alegria do aquarista.Consiencia,só.

Abraços

Basso
 
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10 August 2014
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Caxias do Sul - RS
#5
Pensei 5 vezes antes de publicar esse vídeo aqui.
Mas acho que pode contribuir para o debate que, obviamente, terá de ser feito em um nível muito maior do que o sujeito apresenta.

Além de desinformação e pressa, um dos motivos dos problemas acontecerem pode ser simplesmente isso:
 
16 Novembro 2014
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Recife - PE
#13
Voltando ao assunto do post, acho que é um dos nossos deveres, alertar aos novatos (e algumas vezes aos mais experientes, somos meio megalomaníacos, quando o assunto é peixe) sobre o tamanho dos animais, que serão adquiridos em relação ao tamanho do display. Sofri um pouco com isso no passado YT display 200 l, aprendi a lição, hoje tenho um display com 450 l e o maior animal que possuo é um tomato e 9 é a quantidade de peixes. Difícil é resistir a tentação de ir a uma loja e não adquirir um novo animal, mas venho conseguindo.
 
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21 Novembro 2014
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Jandira
#14
Nossa agora que eu li esse tópico ,eu lembrei que a loja de marinhos que eu freqüento sempre tem vários hepatus grandes nas baterias, geralmente com problemas ,cheios de manchas brancas, largados, por algum cliente, oque eles tem em comum?O tamanho,;( Realmente está cheio de gente irresponsável ..:-@
 
21 Novembro 2014
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Jandira
#15
Olha sobre esse video, até da para manter, mas por quanto tempo?Afinal vc acaba trabalhando no limite, vc vai contra uma regra básica do aquarismo seja de água doce ou marinho ,muito peixe pra pouca água ou seja um descuido na manutenção por preguiça falta de luz e etc e etc...Bom aí ninguém faz vídeo né ?
 

Jose Mayo

Moderator
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10 August 2014
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#16
Fora da coprolalia (copro = fezes ; lalia = falar), o que o rapaz de fato conseguiu demonstrar é que ainda não entendeu a diferença entre o que se pode e o que se deve fazer; Armazenar peixes em um aquário, é uma coisa. Oferecer-lhes um pouco de qualidade de vida é outra...

Alguns modelos de criação, em aquicultura, provam que é completamente possível criar peixes e engordá-los em ambientes confinados e com alta densidade de peixes por metro cúbico de água, como em tanques como este, por exemplo:



A alta densidade de animais, para o caso tilápias, tem a finalidade de engorda e abate, não a de criação ornamental, mas, além disso, trabalham com grandes volumes de água que é renovada todos os dias e quanto maior o número de peixes maior tem que ser o fluxo de "água nova", sob risco de, assim não sendo, perder boa parte da criação para doenças e intoxicações.

Concluindo, o que é possível nem sempre é desejável e os exemplos a ser seguidos devem ser os bons, inclusive os de boa educação.

Abs
 
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3 Novembro 2014
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Curitiba - PR
#17
Concordo com Jose existe uma boa diferença entre sobreviver e viver em sua plenitude, quando superlotamos um aquário perdemos o comportamento dos indivíduos e temos os peixe se comportando como galinha para engorda, sem personalidade nenhuma das suas especies!
Abraço.
 

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