Aquarista marinho e sustentabilidade

Germano Araújo

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16 Outubro 2014
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#3
Muito bom...:clap:
Essa é uma baita de uma questão a ser discutida...e podendo ser muito polêmica...

Dois trechos me chamaram a atenção, vamos a eles:

1. "When it comes to aquarium fishes, the number of species bred in captivity is on the rise, but more than 90% of the fishes commonly kept in aquaria still come from wild reefs."

A porcentagem é extremamente alta e fiquei surpreso com este número. Apesar deste número fiquei martelando na cabeça sobre qual o possível impacto disto ao redor do mundo. Será que o aquarismo marinho tem tanta gente assim para causar um impacto ambiental? Realmente não consigo mensurar....

2. "....the marine aquarium trade currently has no such industry-wide program.."

Honestamente achava que as empresas de fora - entenda-se as americanas e europeias - tivessem rastreabilidade como item obrigatório por lei. Se por lá não existe, não tenho nenhuma expectativa disso aparecer por aqui....:=(

No meu ramo de trabalho vivo este dilema diariamente: Minerar com sustentabilidade...é possível?! Eis a questão...:x

Sds,

Germano.
 


Leo Carvalho

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#4
Germano, quanto a quantidade de aquarista , se causaria impacto.... vc está pensando em seu convívio pessoal, ao redor do mundo existe muitos
Lembro me que pouco tempo atras acompanhava sempre as importações de peixes que chegavam ao brasil e sempre via muitos cooper band nas listas.. lembro de uma com 300 coopoer, e me perguntei. quantos aquaristas que eu conheço que os tem vivos.... bom, pensei em duas hipóteses, ou conheço pouquíssimos aquaristas ( mais provável) ou dos 300 que chegam mensalmente não sobrevive praticamente nenhum ( muito provável também,) mas acho que da para ter noção do impacto. se no brasil que o mercado é pequeno, importam se tanta quantidade de um único peixe, imagina nos Estados Unidos.
 

Germano Araújo

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16 Outubro 2014
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#5
Blz Léo?!
A minha pergunta quanto ao impacto não foi no sentido de não causar impacto e sim de realmente não conseguir mensurar isto por não ter mesmo a ideia da quantidade da demanda do hobby no mundo. Continuo com a dúvida por justamente não saber, ao menos que eu saiba não existe nenhum estudo específico quanto a isto. Vc teria números sobre isto e claro, impactos relevantes causados por esta atividade? Talvez ao longo destas reportagens apareçam dados uma vez que já falou-se em números nesta primeira.

E quando faço a comparação com outras áreas que tb tem esta questão de explorar com sustentabilidade - como no caso do meu convívio profissional - fico com mais dúvida neste quesito.

Sds,

Germano.
 

Júnio Melo

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#6
O autor da série da AA é um repórter cuja área é a pesca.
Vê-lo escrever sobre a aquariofilia é interessante, pois o ponto de vista dele é diferente do nosso, hobbystas.


Enviado do meu iPhone usando o Tapatalk
 

Leo Carvalho

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#7
Quando comprei o meu bluetang foi devido ao fato do importador garantir que eram blue tangs criados em cativeiro da sustainable aquatics.

Acho que a sustentabilidade em nosso hobby é em parte individual, quando tomamos atitudes assim.

Gostaria de um dia poder desfrutar de uma gama maior de opções de peixes criados e corais cultivados, mas acredito que esse dia só chegará se de forma individual colaborarmos para isso.
 

Jose Mayo

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10 August 2014
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#8
É isso aí, Leo,

Sustentabilidade em aquariofilia, passa necessariamente pela aquicultura ornamental e, esta, pelo desenvolvimento de uma logistica de manejo firme e segura, que possa garantir não só a produção como também o descarte responsável, ao passo que também assegure a minimização de risco, para o meio ambiente da região em que se implantem projetos desse tipo, prevendo a possibilidade de soltura inadvertida, ou acidental, de espécies exóticas com potencialidade de tornar-se espécies invasoras, como lamentavelmente em algumas regiões tem acontecido (vide lionfish no Caribe).

Em 2009 o Ministèrio do Meio Ambiente lançou o livro abaixo (basta clicar na imagem para acessar), informando sobre as espécies marinhas exóticas, encontradas no nosso litoral por expedições de pesquisa e, dentre estas, aquelas que se tornaram invasoras, ou seja, capazes de prevalecer sobre as autóctones, deslocando-as ou mesmo extinguindo-as no seu próprio ambiente.


Interessantemente, a imensa maioria dos invasores sequer chama a nossa atenção, porque invisíveis aos nossos olhos, como é o caso dos microcrustáceos, anfípodes e copépodes exógenos por exemplo, que, melhor armados ou com ferramentas adaptativas mais eficientes que as dos nossos, ocuparam o lugar dos nacionais, fazendo-os recuar ou extinguindo-os, mas... Ainda que tais e minúsculas criaturas não chamem a nossa atenção, com certeza chamam a atenção de todos aqueles seres que delas dependem na evolução da sua cadeia trófica, já que suas larvas, que delas se alimentavam e a elas estavam adaptadas, agora tem que evoluir ou morrer, por não encontrarem mais o alimento "original" a que as suas espécies se adaptaram ao longo das centúrias.

Forte abraço
 
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#9
Puxa vida,
Li muito por cima esse livro que o Mayo postou, e tentei buscar assuntos sobre aquariofilia.
Eles tratam muito disso.

Segundo consta, a aquariofilia é o vetor responsável por 3% das espécies invasoras marinhas:

aquariofilia.PNG

E o que vocês acham que nós, aquaristas, importadores e lojistas introduzimos?
Algas.

O descarte de água de TPA, por exemplo, em locais onde, através de ar livre ou emissários, a água vai direto para o mar, é um dos responsáveis por isso.

Abs
 
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Bruno Verpa

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#11
Bom tocar nisso, como seria o descarte da TPA?
Eu jogo pela privada, imaginando que a agua doce poderá "matar" coisas indesejáveis, para não serem introduzidas ao meio ambiente
 

Walmyr Buzatto

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#12
Já pensei um bocado neste assunto de descarte da água das TPAs, e lógico que não chego a conclusão nenhuma... Mas, independente de conclusões, aqui vão alguns fatores a considerar:
  1. Em prédios antigos, ainda existe eventualmente tubulações de ferro galvanizado. Qual o efeito da água salgada nestas tubulações?
  2. Em muitas cidades, a água do descarte segue junto com todo o esgoto residencial para estações de tratamento. Quais as chances de algum organismo sobreviver ao bombardeio químico e físico a que é submetido o esgoto nesats estações?
  3. Em cidades com emissário submarino, existe realmente chance da água chegar, misturada com o esgoto doméstico geral, sem nenhum tratamento, ao mar aberto?
  4. Em cidades onde o esgoto doméstico é, no total ou parcialmente, descartado sem nenhum tratamento em algum rio que corre para oeste (bacia do Paraná), qual a chance de organismos sobreviverem à diluição praticamente total em água doce? Hipoteticamente, uma quantidade de água salgada descartada em TPA que fosse lançada no rio Tietê, ali na marginal, levaria um bom tempo para encontrar novamente a água salgada na foz do Rio da Prata...
Bem, e se alguma das considerações acima levasse à conclusão que não devemos descartar água salgada no esgoto doméstico, o que fazer?
 
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Jose Mayo

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#15
A forma mais prática de tratar a água de um aquário para descarte seria simplesmente "clorar" a água com água sanitária. É simples, rápido e barato, no entanto, NÃO é amigável com o meio ambiente; O cloro, reagindo com derivados proteicos e compostos nitrogenados contidos na água do aquário, tende a formar halometanos e cloraminas que são mais agressivos e contaminantes para o meio ambiente (inclusive com potencial cancerígeno), que a própria microbiologia exótica da água do aquário.

A forma mais correta e menos agressiva ao ambiente seria a oxidação do efluente pelo filtro de ozônio seguida da fotólise pela ultravioleta, ou alternativamente (mais segura que o ozônio para uso doméstico), o uso combinado de "água oxigenada" (H2O2) + ultravioleta num processo a que se dá o nome de POA (Processo Oxidativo Avançado), que, em fundamento, é bastante simples: A "água oxigenada", sob irradiação ultravioleta, se decompõe, liberando hidroxilas e oxigênio singlete (reativo) que simplesmente oxidam e esterilizam toda a matéria orgânica presente no "filtro".

Um filtro para esta finalidade, se houvesse espaço, seria de construção fácil:

Um tonel de plástico resistente e não transparente à radiação UV, de tamanho adequado para o volume de água a ser tratado, considerando um nível máximo de água que permitisse, na tampa e pelo lado de dentro, a presença de uma lâmpada UV de potência suficiente e uma bombinha de circulação, no fundo do tonel, que mantivesse a água em movimento para que a radiação UV alcançasse toda a massa líquida. No momento do descarte bastaria colocar a água no tonel, acrescentar a "água oxigenada", fechar a tampa, ligar a bomba de circulação e a lâmpada UV e deixar "batendo" por algumas horas antes de descartar.

Forte abraço
 

Germano Araújo

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#16
Fiquei curioso para saber como e qual tratamento estatístico utilizaram para chegarem nestas porcentagens...:|
E mais...como chegar a conclusão do agente causador...

Antes de mais nada...aqui falta mesmo conhecimento de causa da minha parte e não colocando em dúvida estes números....Mas uma coisa pode levar a outra...e virce-versa...(angel):x

Sds,

Germano.
 

Bruno Verpa

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#17
Se alguma coisa cair no rio tiete existe a possibilidade de sobreviver???? me disseram que nada sobrevive na marginal do tietê ( brincadeirinha (devil))
Mas uma vez correto, quase nada sobrevive na marginal tiete, mas o que o Walmyr disse tb é verdade, vira e mexe aparece uma capivara, um jacare...imagina-se que são mutantes, rs brincadeira....mas a natureza vai dando seu jeito de sobreviver em quanto nós vamos dando jeito de destruir mais, uma pena
 
16 Novembro 2014
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#18
Não sei quanto aos europeus, mas os americanos, não dão a minima importância a bio-diversidade de seu país, daí se vê jacarés, onde deveriam existir somente gattors, serpentes constritoras sul-americanas, asiáticas e africanas em seus pântanos, psitacídeos australianos e sul-americanos voando livremente, e obviamente animais marinhos de outros locais depositados nas costas do Atlântico e Pacífico. Se a aquariofilia, falando de forma global, tem um percentual relativamente alto, de mudança de ambiente de espécies, uma boa parte se deve aos nosso vizinhos do norte.
 
16 Novembro 2014
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Recife - PE
#20
o dinheiro é um fator, muito limitante em nosso hobby e País. Nesse caso, graças aos políticos e ao povo que neles votam, que nosso ecossistemas não estão tão desgraçados e mutilados por seres estranhos a eles.
 

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