Museu Oceanográfico de Mônaco - Entrevista com Jean M. Jaubert

Jose Mayo

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#61
Se dignaram sim, Maurício: recomendaram aos atletas que viessem com prudente antecedência, para se habituar ao pântano da Guanabara e criar anticorpos... A nossa "Otoridade de saúde" só monitora coliformes fecais, as viroses cada um que se vire e as tome.
 

Jose Mayo

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#63
Marlene Zuk é ótima, Walmyr, e tem toda a razão; O excesso de higiene impede o estímulo do nosso sistema imunológico e nos torna mais vulneráveis a certas disfunções (alergias) e doenças (infecções virais, principalmente). Mas veja, a maior parte das lutas da medicina é pelo resgate do 1%, que é mais ou menos o índice de letalidade geral da maioria das doenças.

A poliomielite por exemplo, que é uma virose muito comum e atinge praticamente 100% de uma população exposta, nunca deixou sequelada uma população maior que 1% da atingida, mas considerar o número absoluto de uma população infantil que representasse esse "porcento" como normal, ainda que como percentual pudesse ser considerado pequeno, não seria digno.
 

Walmyr Buzatto

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#64
Mayo, fiquei amigo dela e do marido, John Rottenberry (http://www.researchgate.net/profile/John_Rotenberry). Ela quase foi orientadora do meu filho, e esteve no Brasil fim de Junho/início de Julho para um congresso no Guarujá. Na sequência do congresso eu os levei para minha casa em Ubatuba e passamos tres dias fazendo 'bird watching' nas redondezas. Este livro que estou lendo estava na biblioteca do meu filho aqui, junto com um outro; quando ela chegou nos EUA, me enviou dois outros livros, com dedicatória e tudo...

Anyway, estamos desviando do assunto. Quando digo que a coleta de rochas vivas está proibida estou simplificando o tema: eu sei que existem firmas liberadas para a coleta em ambiente controlado, mas se tirar uma pedrinha qualquer, mesmo que seja para lastro no mergulho, trouxer para terra e o IBAMA te pegar, pode entrar em apuros.

PS: mas não poderia deixar de postar isto aqui... http://www.researchgate.net/profile/Bruno_Buzatto
 
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#66
Teria alguma vantagem em criar um banco de macro algas, semelhante o que existe no mar, nessa área do RDSB?
O que vocês acham?
O problema das macroalgas, com a exceção da cheatomorpha, é que elas costumam não ter vida longa em aquários de corais.
Já vi várias iniciativas de "plantados" marinhos, que se mostraram por períodos extremamente curtos.
Quando um aquarista para de mostrar o seu aquário, é muito provável que não deu certo.

E algas não proliferando significa restos orgânicos sendo depositados no substrato, e problemas a vista.
Parece, como disse, que a alga que se tem mais controle sobre isso é a cheato.

Meu pensamento.
 
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Walmyr Buzatto

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#70
Como todos os milagres, há que ter fé... ;-)

Eu sinceramente não sei; tempos atrás, comprei um pacote deste produto, mas não usei da forma adequada e não consegui concluir nada sobre ele.
 
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Henrique Almeida

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#71
O Walmyr é um cara muito interessante mesmo. Bird watching também?
Gosta de olhar as espécies de todos os ângulos.

To acompanhando bem esse tópico aqui. Mega interessante.

Ledo, acho que precisamos encontrar as espécies adequadas de macro algas e sua devida forma de manuseio. Todas as plantas em geral, possuem suas particularidades para prosperar.
No aquarismo plantado por exemplo, para termos um aquário saudável, precisamos saber como podar cada tipo de planta e na frequência correta. Do contrário, ela definha e morre ou fica no mínimo bem feia e sem saúde.

Não tenho conhecimento, mas provavelmente devido à beleza dos corais e dos peixes, ninguém se preocupou em pesquisar e testar a fundo "plantas" marinhas. Assim ficamos sem conhecimento para prosperar com nossas algas.
Estamos num patamar de alguns anos atrás no aquarismo dulcícola, onde ninguém usava substrato fértil, nem CO2, nem iluminação adequada. Logicamente as plantas duravam pouco tempo nos aquários.
 
10 August 2014
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#72
O Walmyr é um cara muito interessante mesmo. Bird watching também?
Gosta de olhar as espécies de todos os ângulos.

To acompanhando bem esse tópico aqui. Mega interessante.

Ledo, acho que precisamos encontrar as espécies adequadas de macro algas e sua devida forma de manuseio. Todas as plantas em geral, possuem suas particularidades para prosperar.
No aquarismo plantado por exemplo, para termos um aquário saudável, precisamos saber como podar cada tipo de planta e na frequência correta. Do contrário, ela definha e morre ou fica no mínimo bem feia e sem saúde.

Não tenho conhecimento, mas provavelmente devido à beleza dos corais e dos peixes, ninguém se preocupou em pesquisar e testar a fundo "plantas" marinhas. Assim ficamos sem conhecimento para prosperar com nossas algas.
Estamos num patamar de alguns anos atrás no aquarismo dulcícola, onde ninguém usava substrato fértil, nem CO2, nem iluminação adequada. Logicamente as plantas duravam pouco tempo nos aquários.
Henrique,
Veja o que considero o problema:

Você já viu fotos de recifes de corais com macroalgas? Eu, felizmente, nunca, mas já li a respeito. São recifes destruídos, perto de grandes centros urbanos, ou que viveram algum momento catastrófico e eutrofizaram.



http://www.alertdiver.com/Eutrophication

Isso porque macroalgas, muito mais do que as algas "turf" que vemos comumente crescendo em nossos aquários, têm uma exigência nutricional diferenciada. Em aquários plantados, como você bem observou, isso é evidente.
Tanto é que, na época que eu tinha plantados (não gosto de lembrar disso) eu adicionava nitrato e fosfato.
Pois bem, é exatamente isso que não queremos em um aquário de recife.

Acho que é possível um "plantado marinho" como um aquário isolado, e creio que seja semelhante a ter um aquário plantado dulcícola, inclusive na dificuldade e exigência que há no controle de um ambiente eutrófico, como acontece nos plantados.
Mas duvido muito (e nunca vi acontecer) que seja possível mantê-lo conectado ao sistema com um todo, como foi a pergunta do Cláudio, sem prejuízo para o setor "recife" daquele sistema.
 
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Jose Mayo

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#73
Concordo com o Ledo e acrescento outra diferença "sutil":

No ambiente marinho e mais especificamente na zona fótica COM SUBSTRATO do ambiente marinho, ou seja, nas superfícies de fundo banhadas pela luz do sol, que são poucas, a natureza resolveu brincar de "guerra química" pelo direito a ocupar o nicho. Os seres sésseis dessa região, algas, corais e demais flora e fauna, se digladiam permanentemente nessa disputa por "um lugar ao sol".

Conforme que condições de luz e sombra e conforme que concentrações de nutrientes (orgânicos e inorgânicos) na água, esses seres são capazes de produzir, por mecanismos adaptativos dos seus organismos, substâncias a que se dá o nome de "aleloquímicos", capazes de, quando liberadas no ambiente, inibir, estimular e mesmo suprimir o desenvolvimento de uns ou outros, conforme a "predominância", assim como também atrair ou espantar até os peixes, como meio de defesa contra a herbivoria e a predação de corais...

Trazer "isso" para um aquário, sem dispor de melhores meios de constatação e controle desses fenômenos, pode não ser uma boa ideia.
 
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Henrique Almeida

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#74
Tudo isso é muito verdade.

Na década de 90, passei uns dias em Guarapari e me lembro de ter feito um passeio para uma praia, em que fomos de barco. Neste dia estava tendo um surto de umas algas vermelhas e enormes por toda a praia. Foi quase impossível desembarcar até a praia e o cheiro em todo o lugar era horrível, sem falar que não dava nem pra pensar em cair na água.

Acho que este é um exemplo ótimo de como estes seres se aproveitam de um desequilíbrio na natureza e agem com muito intensidade.
 
#75
Obrigado @Walmyr Buzatto.

@Ledo Daruy, quando citei as algas eu pensei em algo como o que ocorre naturalmente nos bac kreefs
No livro "Tropical Pacific Invertebrates" tem uma parte lá que fala o seguinte: Outro habitante comum nos Back Reef é a cama de grama marinha. As camas de grama marinha são os pastos do mar. Os organismos que habitam esta área são muito diferentes dos encontrados próximos dos recifes.

Claro que essa é uma tradução livre do livro.
Mas emfim, minha idéia a princípio seria tentar imitar essa área dos compostos dos recifes.
Quem já pegou uma alga marinha na mão e analisou, pode notar a incrível quantidade de vidas que existem nelas.
Se pensarmos que essas vidas possam servir de alimento para corais e/ou peixes, seria interessante manter tal estrutura.
Claro que isso é pura divagação, pois entre a idéia e "poder" executar tal coisa existe um abismo enorme.
 

Jose Mayo

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#76
Obrigado @Walmyr Buzatto.

@Ledo Daruy, quando citei as algas eu pensei em algo como o que ocorre naturalmente nos bac kreefs
No livro "Tropical Pacific Invertebrates" tem uma parte lá que fala o seguinte: Outro habitante comum nos Back Reef é a cama de grama marinha. As camas de grama marinha são os pastos do mar. Os organismos que habitam esta área são muito diferentes dos encontrados próximos dos recifes.

Cloro que essa é uma tradução livre do livro.
Mas emfim, minha idéia a princípio seria tentar imitar essa área dos compostos dos recifes.
Quem já pegou uma alga marinha na mão e analisou, pode notar a incrível quantidade de vidas que existem nelas.
Se pensarmos que essas vidas possam servir de alimento para corais e/ou peixes, seria interessante manter tal estrutura.
Claro que isso é pura divagação, pois entre a idéia e "poder" executar tal coisa existe um abismo enorme.
"Grama marinha" é uma coisa, algas são outras... O problema da "grama marinha" (sea grass) é que é muito delicada e difícil de transplantar para o aquário; Aqui no RJ, na praia da Urca, encontra-se "grama marinha" (Halophila decipiens) com facilidade e a baixa profundidade, basta uma máscara e um snorkel e procurar num dia de sol, veja abaixo:


O problema é que, para transplantá-la, é preciso mergulhar uma pá larga, a mais ou menos oito centímetros de profundidade na areia, e retirar o "terrão" sem quebrar as raízes da planta. Se quebrar, morre.

Tentei trazer algumas vezes para o aquário e não vingou nenhuma, aí desisti.
 
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Jose Mayo

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#78
Você pode tentar, Cláudio... Elas ficam bem no raso, naquela praiazinha da extinta TV Tupi; olhando para o prédio da Tupi, no costão do lado esquerdo. Tem pelo menos 02 tipos de halófitas por lá (e é claro que gostam de "matéria orgânica", hehehe), mas indo num bom período de estiagem a água até que é "limpinha". Eu não consegui transplantá-las, mas também o aquário estava no início, então, se o teu aquário já esta "maduro", pode ser que você consiga.
 
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Walmyr Buzatto

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#80
Estou meio surpreso como este tópico evoluiu... e também um pouco surpreso com algumas opiniões que contradizem tudo o que se lê e se vê por aí em termos de ATS, de refúgios de algas, de controle natural de nutrientes, e por aí vai.

No que se difere, em essência, um ATS de um refúgio com macro-algas ao estilo daquele usando Miracle Mud? Ou por outro lado, o que estes dispositivos tem em comum? Eles concentram uma cultura de algas em um lugar só, longe de peixes algueiros e com condições favoráveis de circulação, oxigenação e iluminação, que promovem o crescimento acelerado de algas e assim permitem a exportação periódica de nutrientes através da poda. Em alguns casos, isto também favorece o fornecimento de alguns alimentos vivos aos animais do display. Não vejo como isso pode ser prejudicial ao aquário de corais.

Se li corretamente as opiniões do Ledo e do Mayo, eles são contrários ao uso de ATS e de refúgios com algas, é isso?
 
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