Museu Oceanográfico de Mônaco - Entrevista com Jean M. Jaubert

Jose Mayo

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10 August 2014
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#41
O problema da "telinha", para separar e manter separados os substratos, é que com o passar do tempo vira uma "barreira", ao ficar obstruída pelo filme bacteriano. De outro lado, a tendencia do substrato mais fino é com o tempo depositar-se no fundo, "levantando" o substrato mais grosso sob a movimentação da água. Aqui em casa, quando montei o aquário, apoiei primeiro as rochas no vidro, depois coloquei entre as rochas aragonita 4# que tinha aqui e, finalmente, aragonita SS cobrindo a anterior e fazendo a "frente" do substrato... Um ano depois o que tenho é aragonita 4# na superfície, em vários pontos do aquário.
 
#42
Pois é Walmyr e Mayo. Isso são as coisas que me intrigam quando falamos de substrato e granulometria.
Isso que o Mayo citou é fato, pois os grãos mais finos tendem a ir para os espaços entre os grãos mais grossos.

Walmyr,
Pensando na construção desse substrato, olhando o que temos no mercado nacional, eu dei uma olhada em dois substratos.
O primeiro, que iria preencher os primeiros 3cm seria o Caribbean Crushed Coral e o segundo, mais 9cm, seria esse Special Grade Reef.
Segundo o fabricante, esse segundo é o que eles recomendam para sistemas Berlin e Jaubert.
 

Walmyr Buzatto

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10 August 2014
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#43
Ron Shimek usa diversas vezes o termo 'mud' para se referir ao substrato, fazendo menção a uma granulação bem fina mesmo. O conceito dele está mais para lama que para areia. Estes dois substratos que você citou são bem grosseiros, comparado com a recomendação dele. o Special Grade Reef tem 1 a 2 mm, e o Ron sugere 0,125mm... Não sei, sinceramente o que recomendar.

Se eu fosse montar um sistema Jaubert hoje, eu colocaria o Bahamas Oolite na camada superior (0,25 a 1 mm). Estou curioso de ver o comportamento e aparência deste substrato nesta granulação. Provavelmente iria voar tudo com a circulação... ;-)
 
10 August 2014
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#45
Eu acho que tentar manter substratos de diâmetros diferentes nessa configuração é impraticável e sendo assim eu optaria por usar o plenum e um único substrato mais fino ou médio. O aquário que mantive por mais tempo (mais de 10 anos) tinha halimeda e no formato natural ou seja jamais me preocupei se estava quebrado ou não durante a montagem e o que aprendi foi que os grãos menores realmente vão para o fundo e os maiores pra cima.
 
10 August 2014
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#46
Quando eu comecei a ler sobre aquarismo marinho (faz pouco tempo, não sou velho como a maioria aqui), a maioria dos aquários no Brasil (pelo menos os publicados) utilizavam plenum.
O interessante nessa discussão toda é que, embora já tenha lido relatos de pessoas que se dizem fãs do "sistema Jaubert", eu não lembro de ninguém ter montado seu sistema como realmente Jaubert montou.
Na época, em fóruns e artigos, ouvia-se com muita frequência o relato de que o plenum deveria ser uma zona 100% parada, incólume.
Provavelmente se alguém dissesse o contrário, receberia uma resposta do tipo "faço assim desde o Pré-cambriano, e sempre deu certo, não questione meu sucesso.".
Ainda bem que não é mais assim.

Eu tenho algumas dúvidas ainda sobre a capacidade do sistema de realmente fazer alguma diferença quando comparado aos outros.
Isso já foi testado, e estou relendo alguns experimentos para falar no ReefTalk. Daqui a pouco publico alguma coisa.


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#47
@Ledo Daruy estou ansioso por sua colocação. Rs
Walmyr, Mayo e Maurício, o que vocês me dizem sobre a areia de praia já inoculada, ou seja, pegar a areia depois com água pelo joelho e colocar nesse local ai que estamos conversando.
Eu lembro uma vez que o Ledo aconselhou (no IPAQ e já faz algum tempo) a estar sempre inoculando animais no substrato por fazer exatamente isso, pegar areia de praia "viva" e colocar em um local onde esses seres bentônicos no substrato.

Essa idéia, é plausível?
 

Leo Carvalho

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#48
Eu tive durante muitos anos o que chamávamos na época de "Sistema Jaubert", isso a uns 20-15 anos atrás acredito eu e hoje vejo que não era o "Sistema Jaubert" rs. Mantinha o aquário com 15cm de halimeda, placas de filtros biológicos ao fundo, de forma intocável para formar essa zona pobre em oxigenio. sempre me perguntei como a água descia até lá para ser filtrada, mas em fim, mantinha pois muitos mantinham, acredito que esse sistema eu tenha lido através do livro do Sergio Gomes ou do extindo forum do Ricardo Miozzo. Quem eu sei que manteve por muito anos um sistema semelhante a esse meu e com mais sucesso, pois na época eu não obtive cores bonitas nos sps, foi o @Leandro Souza , ele tinha esse substrato profundo ( DSB ) e acroporas coloridas
 
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Leandro Souza

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#50
Ola @Leo Carvalho eu mantive um aquário com DSB por quase 10 anos e com acroporas. Desmontei por conta de cupim na madeira que era a base do vidro.
Quando desmontei aproveitei para fazer algumas modificações as quais o @Wander Silva executou com perfeição. O proprio @Wander Silva não acreditou quando viu meu substrato branco depois de 10 anos. Acredito que os 2 pepinos que eu tinha na epoca foram os responsaveis por essa manutenção a longo prazo.

Quando fui remontar o aquario fiquei na duvida se iria usar o mesmo substrato e se iria usar DSB novamente. Na epoca criei uma thread no forum e a maioria me indicou usar um substrato novo e com no maximo 5 cm de altura, isto porque meu substrato poderia ter "blindado" o fosfato e eu teria diversos problemas em reutilizar, mas sempre tinha a pulga atras da orelha se iria realmente dar certo.

Entao.... resolvi arriscar e lavei todo o substrato ( 120kg ), utilizei o processo normal agua, cloro e deixei secar ao sol. Não satisfeito ainda resolvi colocar no forno ( fogao de casa mesmo ) em uma temperatura alta por 20/30min pensando assim que nenuhma praga no mundo seria capaz e sobreviver a todo esse processo.

Meses depois remontei o sistema com o mesmo substrato e ainda utilizando o DSB ( porque mexer no time que esta ganhando).
O aquario hoje tem certa de 1 ano e não tenho do que reclamar. Voce mesmo pode notar quando me fez uma visita que o aquario não tem nenhum tipo de algas e a saude dos meus corais.


Aqui uma foto do aquario com DSB antes do desmonte.
 

Jose Mayo

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#51
@Ledo Daruy estou ansioso por sua colocação. Rs
Walmyr, Mayo e Maurício, o que vocês me dizem sobre a areia de praia já inoculada, ou seja, pegar a areia depois com água pelo joelho e colocar nesse local ai que estamos conversando.
Eu lembro uma vez que o Ledo aconselhou (no IPAQ e já faz algum tempo) a estar sempre inoculando animais no substrato por fazer exatamente isso, pegar areia de praia "viva" e colocar em um local onde esses seres bentônicos no substrato.

Essa idéia, é plausível?
A ideia é plausível, Cláudio, mas tem os seus problemas também... a areia de praia é quartzo (SiO2 - sílica) granulado e não aragonita (CaCO3 - carbonato de cálcio), ou seja, para um sistema Jaubert, que conta com a dissolução do substrato pra contribuir à manutenção dos níveis de cálcio e magnésio (dolomita), a areia de praia não é adequada, mas como inóculo de meiofauna e infauna a areia de praia é ótima (pode também carrear pragas, cuidado).

Abs
 

Walmyr Buzatto

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#53
A propósito: sabem que a maioria dos substratos calcáreos são cocô de peixe papagaio? Existem exceções, como o substrato oolite, das Bahamas, que é precipitação de CaCO3 que cristaliza em condições especiais. Vejam o vídeo:


Os peixes papagaio (parrot fish) comem corais duros, arrancando com seus bicos grandes pedaços de acróporas (dá dor no coração ver isto), e após serem triturados no seu sistema digestivo para aproveitamento da matéria orgânica, a areia resultante é despejada em nuvens brancas que se depositam no fundo arenoso.

https://www.sciencenews.org/blog/wild-things/island-maldives-made-parrotfish-poop
 
10 August 2014
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#54
Muitos anos atrás, mas muitos mesmo, tinha um cara que levava pedaços de rochas vivas e depositava numa praia, segundo ele, próximo de um costão. Deixava lá por algumas semanas, depois recolhia e levava para o aquário, dizia que vinham lotadas de bichinhos.


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Walmyr Buzatto

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#55
Isto é possível e muito interessante, mas não é permitido por lei aqui no Brasil, surpreendentemente. No momento em que você coloca a rocha lá, ela se torna legalmente uma rocha viva, e a retirada de rocahs vivas é probido por lei... que país complicado este em que vivemos, heim?

PS: a alternativa é coletar água natural naquele local e colocar a sua rocha para maturar com esta água. O efeito é quase o mesmo, visto que a maioria destes organismos que vivem nas rochas vivas tem desova pelágica.
 

Osmar Segato

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#57
Isto é possível e muito interessante, mas não é permitido por lei aqui no Brasil, surpreendentemente. No momento em que você coloca a rocha lá, ela se torna legalmente uma rocha viva, e a retirada de rocahs vivas é probido por lei... que país complicado este em que vivemos, heim?
assim você se torna um ladrão de microvida marinha, um crime inaceitável no brazil.
 

Jose Mayo

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#58
Na verdade "proibido" não é não, tanto que há zonas de extrativismo de rochas vivas licenciadas pelo IBAMA, mas a "tchurma" gosta mesmo de criar dificuldades pra vender facilidades. Que a retirada de rochas naturais seja controlada até se entende, mas que também aproveitem para dar uns cascudos em quem apenas recolhe biologia marinha (na prática, inesgotável) em rochas que não são daquele ambiente e, portanto, não lhe fazem falta nenhuma, é um exagero desnecessário e incompreensível. Outra coisa que não se entende é que tenham tanta preocupação com as coletas dos aquaristas e NENHUMA com o despejo de esgoto in natura que o próprio poder público (com minúsculas como merecem), pelos seus órgãos e concessionários, despeja nos litorais do Brasil todos os dias.
 
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#60
Eu já havia visto este vídeo Wlamyr. É muito legal ver as interações que ocorrem no meio ambiente.
Quanto a nosso país, prefiro até me isentar de opinião, pq isso aqui é uma verdadeira balbúrdia.
Ser corrupto todo mundo pode e é considerado crime de colarinho branco.
Espero que essa realidade mude agora.
Será?
Kkkkk
 

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