Museu Oceanográfico de Mônaco - Entrevista com Jean M. Jaubert

Walmyr Buzatto

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10 August 2014
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#1
Mr. Jean M. Jaubert é uma celebridade no aquarismo marinho, tendo inclusive dado seu nome a um sistema de filtragem biológica que até hoje é utilizado em muitos aquários ao redor do mundo, inclusive no Museu Oceanográfico de Mônaco, do qual foi diretor por 3 anos. Veja aqui como, por acaso (destino?), o ReefClub acabou estabelecendo um relacionamento especial com esta celebridade.



Leia, na íntegra, a entrevista com o Dr. Jaubert.

Veja uma lista histórica de discussões sobre o sistema.

Mais sobre Jaubert? Fique ligado no Julho Jaubert do ReefClub.
 
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Jose Mayo

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#3
Parabéns Walmyr !!!

Entrevista histórica! Não apenas por ser com quem é, nada menos que Mr. Jaubert, como por ser a primeira vez que se comete essa façanha em toda a história dos fóruns de aquarismo do Brasil: Ir lá na fonte e levar esse espírito solidário, com o pensamento ancorado não só em trocar umas palavras com alguém tão destacado e de tanta importância no hobby do aquarismo marinho, como em retornar e nos trazer tantas informações preciosas...

Valeu, amigo! Esse é um "gol" que vale por DEZ, NOTA DEZ !!!
 


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Henrique Almeida

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9 Janeiro 2015
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#4
Walmyr, simplesmente fantástico. Sinceramente acho que você merecia uma placa por esta "matéria".
Poderia curtir este artigo mil vezes se fosse possível.

Tudo que foi abordado traz uma riqueza enorme para o fórum e com certeza ficará marcado pra sempre.

Suas surpresas no Reef Club são sempre ótimas. Muito bom participar de um "Club" que nos engrandece com muito conteúdo de qualidade.
 
10 August 2014
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#6
Inovação, comprometimento, iniciativa, responsabilidade, dedicação, são algumas das palavras que me veem a mente, buscar não só a informação, mas a melhor informação com exclusividade e traze-la de forma tão pronta, natural e de facil acesso para todos nós.
É isso, parabéns pelo excelente material.
 
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Walmyr Buzatto

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10 August 2014
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#9
Parabéns @Walmyr Buzatto pela matéria.
Sempre me pergunto se esse lance do plenium não é realmente eficaz em nossos aquários
Cláudio, boa tarde.

Eu também estou pensando muito neste assunto. Nesta minha viagem à França mes passado visitei duas pessoas, o Mr. Jaubert, do artigo aí acima, e Tim Wijgerde, um pesquisador holandês, que desenvolveu aquele sistema chamado de DyMiCo, que pode ser encarado como um Jaubert mais sofisticado. Comum aos dois sistemas é uma circulação no substrato que evita o empedramento. Talvez só o plenum não seja garantia disso: é preciso combinar as granulações do substrato com algum método que promova uma circulação mínima, não confiando apenas na difusão a nível molecular. Diversos truques, como o uso de animais bioturbadores no substrato, acabam ajudando isto, e é o segredo da longevidade dos aquários do Museu Oceanográfico de Mônaco.
 
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1 May 2015
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#11
Que ótima oportunidade, simplesmente uma das melhores entrevistas que já li nos fóruns do Brasil. Parabéns Walmyr !

Parabéns @Walmyr Buzatto pela matéria.
Sempre me pergunto se esse lance do plenium não é realmente eficaz em nossos aquários
Pois é Claudio, isso já rendeu discussões intermináveis sobre e se funciona em sistemas menores como o que temos em casa, o problema é que os desfechos, se bem me lembro, nunca terminam bem.
 
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#13
Que ótimo Walmyr, com o ótimo time de moderadores que temos aqui, tenho certeza que o assunto irá render bons frutos, estarei na primeira fila apesar de não poder contribuir muito sobre o tema.
 
#14
Cláudio, boa tarde.

Eu também estou pensando muito neste assunto. Nesta minha viagem à França mes passado visitei duas pessoas, o Mr. Jaubert, do artigo aí acima, e Tim Wijgerde, um pesquisador holandês, que desenvolveu aquele sistema chamado de DyMiCo, que pode ser encarado como um Jaubert mais sofisticado. Comum aos dois sistemas é uma circulação no substrato que evita o empedramento. Talvez só o plenum não seja garantia disso: é preciso combinar as granulações do substrato com algum método que promova uma circulação mínima, não confiando apenas na difusão a nível molecular. Diversos truques, como o uso de animais bioturbadores no substrato, acabam ajudando isto, e é o segredo da longevidade dos aquários do Museu Oceanográfico de Mônaco.
Realmente, talvez seja a solução.
Mas vou jogar um pergunta no ar......
E se colocássemos uma tubulação com válvula de retenção ligada a uma bomba e bombeássemos água para o plenium uma vez ao dia, tipo o que acontece com o sistema DyMiCo, será que não funcionaria?
 
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Walmyr Buzatto

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10 August 2014
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#15
Realmente, talvez seja a solução.
Mas vou jogar um pergunta no ar......
E se colocássemos uma tubulação com válvula de retenção ligada a uma bomba e bombeássemos água para o plenium uma vez ao dia, tipo o que acontece com o sistema DyMiCo, será que não funcionaria?
Cláudio, eu andei ruminando algumas idéias ao redor disto... e acho que o Mayo já deve ter tido também algumas dezenas delas. De repente acaba saindo alguma coisa interessante disto tudo, uma alternativa tupiniquim...
 
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#17
Cláudio, eu andei ruminando algumas idéias ao redor disto... e acho que o Mayo já deve ter tido também algumas dezenas delas. De repente acaba saindo alguma coisa interessante disto tudo, uma alternativa tupiniquim...
kkkkkkk.
Ruminando foi ótima.
Eu acho muito bom que você, @Walmyr Buzatto e o @Jose Mayo estejam "ruminando" idéias.
Quando isso acontece, só sai coisa boa pra nós.
 
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Walmyr Buzatto

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10 August 2014
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#18
Para dar um pontapé inicial de um resumo do método, vou colocar aqui minhas observações e conclusões sobre ele e outros similares ( DSB, RDSB, DyMiCo ).
DSB = deep sand bed
RDSB = remote deep sand bed
DyMiCo = dynamic mineral control​

O que todos estes métodos tem em comum é a montagem de um leito profundo, com a finalidade de propiciar o ambiente anaeróbico necessário para a desnitrificação. Em um leito profundo, as camadas superiores abrigam bactérias que processam as duas estapas anteriores do ciclo do nitrogênio, convertendo amônia em nitrito e em seguida nitrito em nitrato. Estas duas etapas acontecem na presença de oxigênio. Nas camadas mais profundas do substrato, o oxigênio já foi totalmente consumido, e aí começa o trabalho das bactérias anaeróbicas, fazendo a desnitrificação. Este processo acontece em duas etapas: bactérias desnitrificantes reduzem o nitrato (NO3) de volta em nitrito (NO2-) e este, numa segunda etapa, é reduzido para nitrogênio livre (N2). Este processo somente acontece na ausência de oxigênio (processo anaeróbico) e com alguma forma de matéria orgânica como alimento das bactérias. Neste processo, tanto o nitrato como o nitrito assumem o papel de receptores de eléctrons.

Dois cuidados são necessários num leito profundo, para evitar problemas (descritos mais adiante).
  1. Em primeiro lugar, a granulação deve ser adequada à sua profundidade: segundo CR Brightwell, no livro Marine Chemistry, substratos com grãos de 2mm ou menos de diâmetro devem ter entre 2,5 e 5cm; grãos de 2 a 4mm podem constituir substratos de 5 a 7,5cm; grãos maiores que 4mm podem ser usados em substratos de 7,5 a 15cm (não está claro de onde saiu esta recomendação, mas parece coincidir com outras recomendações de outros autores: quanto mais profundo o substrato, maior o diâmetro dos grãos). Jaubert também recomenda a utilização de granulação variada: granulação maior nas camadas mais profundas, e granulação decrescente em direção ao topo do substrato.
  2. Em segundo lugar, é recomendável a utilização de bioturbadores, animais que revolvem o substrato evitando a formação de bolsões e estimulando a difusão da água e matéria orgânica até o fundo do substrato. Como dito acima, alguma forma de matéria orgânica é necessária como alimento das bactérias, e esta matéria orgânica chega de forma natural através do substrato até onde estão as bactérias.
A partir daqui, os métodos divergem.
  • Jaubert considera interessante a montagem de um plenum sob a camada do substrato para favorecer a circulação lenta da água através dele. Quem leu o artigo deve ter notado que ele deixou a coluna de tubos do sistema, apenas desconectada da captação no plenum, e opina que ela deve ter ajudado em promover uma leve circulação através do substrato. Também considera que a circulação horizontal sobre o substrato (tangencial) favorece a penetração de água nova no substrato. O que deve ser evitado é a formação de zonas sem circulação e com acúmulo de matéria orgânica.
  • Tanto o DSB como o RDSB dispensam o plenum, porém mantém as demais condições existentes no método Jaubert.
  • DyMiCo mantém algo parecido com o plenum (granulação mais grossa na camada mais profunda) com circulação forçada - e lenta - de água a intervalos regulares, com a injeção de uma fonte de carbono como alimento para as bactérias, usando a ORP como critério para dosar a fonte de carbono.
Os problemas associados com leitos profundos são basicamente dois fenômenos que podem acontecer lá no fundo:
  1. Bolsões de H2S, gás sulfídrico, que é gerado quando acaba a disponibilidade de nitrato. Em seu lugar, as bactérias denitrificantes utilizarão o sulfato (SO4) obtido da decomposição da matéria orgânica como o receptor de elétrons. O H2S gerado é um gás venenoso, que mesmo em concentrações baixas pode causar uma mortandade entre os peixes.
  2. Empedramento do substrato: a atividade bacteriana reduz o pH da água no substrato; como o substrato utilizado normalmente é composto de aragonita (ou algum outro subtrato calcáreo, como halimeda ou oolite), esta pode se dissolver gradativamente no ambiente mais ácido. Segundo Jaubert, este é um efeito benéfico do leito profundo, e a dissolução da aragonita acaba repondo cálcio, magnésio e reserva alcalina, dispensando a utilização de outros mecanismos (reator de cálcio, balling, reator de nielsen, etc) de reposição iônica. Desde que ocorra uma circulação lenta através do substrato e plenum, estes íons liberados do substrato irão para a coluna dágua e ficarão disponíveis para organismos calcificadores (algas calcáreas, corais duros, tridacnas e outros animais que dependem do sistema de carbonatos na água para compor seus esqueletos). Existe muita divergência quanto à eficácia deste mecanismo como única forma de reposição iônica; em aquários mais estocados isto não seria suficiente, e muitos advogam que confiar no substrato como reposição iônica seria quase como acreditar no coelho da Páscoa... Já o sistema DyMiCo vai além e promove ativamente a dissolução do substrato com a injeção de CO2, controlada pelo monitoramento da acidez da água no substrato profundo. O empedramento ocorre quando ocorre a precipitação de carbonato no substrato, aglutinando novamente os grãos e formando placas de substrato 'empedrado'. Muitos aquaristas relatam encontrar placas de substrato empedrado ao desmontar aquários que utilizaram DSBs, enquanto que outros relatam que operaram aquários assim por anos e anos sem que isto acontecesse.
Estes dois problemas são evitados com a devida circulação através do substrato (plenum, granulação correta, bioturbadores).

Bem, resumi acima a minha leitura particular sobre o que vi e li sobre o método Jaubert, não significando com isto que captei toda a essência do método ou que este seja a solução dos problemas do aquarismo. Fiz isto mais para provocar a discussão, já que estamos chegando ao fim do Julho Jaubert... (blush)
 
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#19
Belo resumo @Walmyr Buzatto. Cada vez que leio sobre esse método de construção, fico com aquela pulga atrás da orelha e me alfinetando, "Por que eu não monto um sistema assim?" :DD
Não sei se é a melhor opção, mas vejo tantos aquário montados com sistemas de substratos alto por tanto tempo, que vivo querendo tentar algo assim.
Essa questão da circulação baixa pelo substrato, não poderia ser substituída pelo plenum pingando e fazendo o preenchimento automático pelo aquário?
Imagina um sistema montado com o plenum e na parte do plenum tivesse uma válvula ou algo similar que ficasse pingando pro sump essa água e, claro, a água do aquário iria circular bem lentamente pelo substrato fazendo uma troca constante pelo próprio. Tipo uns 5% - 10 % do volume por dia.

Viajei na maionese?
 

Walmyr Buzatto

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#20
Cláudio, a idéia é interessante. É bom viajar na maionese de vez em quando, é assim que exercitamos a criatividade. Se você instalar um tipo de dreno no plenum que fique gotejando no sump, com uma válvula para regular, já garantiria o controle total do fluxo. Nem precisa furar o vidro para fazer isto: uma manguerinha, dessas usadas no balling, com uma ponta lá embaixo no plenum, subindo discretamente por um canto, e com a outra ponta mais abaixo, acima do sump, já garantiria o fluxo pelo efeito sifão. Algum tempo atrás eu estava pensando em um modelo de aquário para manter o plancton, sem nenhuma bomba de circulação, só um recalque aspirando a água através do substrato, e usando um wave bucket para agitar um pouco o display. Como não teria velocidade muito baixa pelo substrato, eu iria usar chaetomorpha para segurar nitrato e fosfato. Acho que vou até criar um tópico em separao para isto (cheguei a fazer desenhos, etc).

PS: claro que esta mangueirinha poderia ser fatal em uma queda de energia, né? Fico até arrepiado de pensar nisso...
 
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